Girassóis e Miosótis | Texto

O girassol é flor raçuda, que enfrenta até a mais violenta intempérie e acaba sobrevivendo. Ela quer luz e espaço e, em busca desses objetivos, seu corpo se contorce o dia inteiro.

O girassol é flor raçuda, que enfrenta até a mais violenta intempérie e acaba sobrevivendo.

O girassol é flor raçuda, que enfrenta até a mais violenta intempérie e acaba sobrevivendo.

O girassol aprendeu a viver com o sol e por isso é forte. Já o miosótis é plantinha linda, mas que exige muito mais cuidado. Gosta mais de estufa. O girassol se vira… e como se vira! O miosótis quando se vira, vira errado. Precisa de atenção redobrada.

Há filhos girassóis e filhos miosótis. Os primeiros resistem a qualquer crise: descobrem um jeito de viver bem, sem ajuda. As mães chegam a reclamar da independência desses meninos e meninas, tal a sua capacidade de enfrentar problemas e sair-se bem. Por outro lado, há filhos e filhas miosótis, que sempre precisam de atenção. Todo cuidado é pouco diante deles. Reagem desmensuradamente, melindram-se, são mais egoístas que os demais, ou às vezes, mais generosos e ao mesmo tempo tímidos, caladões, encurralados. Eles estão sempre precisando de cuidados.

O papel dos pais é o mesmo do jardineiro, que sabe das necessidades de cada flor, incentiva ou poda na hora certa.

O papel dos pais é o mesmo do jardineiro, que sabe das necessidades de cada flor, incentiva ou poda na hora certa.

O papel dos pais é o mesmo do jardineiro, que sabe das necessidades de cada flor, incentiva ou poda na hora certa. De qualquer modo fique atento! Não abandone demais os seus girassóis porque eles também precisam de carinho… e não proteja demais os seus miosótis. As rédeas permanecem com vocês… mas também a tesoura e o regador. Não neguem, mas não dêem tudo o que querem: a falta e o excesso de cuidado matam a planta…

Autor desconhecido

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Disciplina e Educação, de Flávio Gikovate | Texto

Os disciplinados terão maiores chances de sucesso nas atividades às quais se dedicarem.

Os disciplinados terão maiores chances de sucesso nas atividades às quais se dedicarem.

De repente, no melhor do sono, toca o despertador. É hora de levantar para ir à escola ou ao trabalho. Não é raro que, exatamente neste instante, se trave uma batalha importantíssima. De um lado, o sono, a preguiça, o desejo de continuar deitado sonhando com todo tipo de situações gostosas. De outro, a noção do dever, da obrigação, do compromisso assumido. A vontade mostra uma direção; a razão aponta o oposto.

Disciplina, em minha opinião, é a capacidade que permite à razão ser mais forte e vencer nossas vontades e nossa preguiça. É porque desenvolvemos essa qualidade que conseguimos fazer exercícios maçantes todos os dias na mesma hora; que evitamos comidas com muitas calorias ou prejudiciais à saúde; que nos faz abrir mão de coisas materiais para poupar e atingir um objetivo maior. Pessoas disciplinadas conseguem estudar quando, na verdade, estavam com vontade de assistir à televisão ou bater papo com os amigos.

Não resta a menor dúvida: os disciplinados terão maiores chances de sucesso nas atividades às quais se dedicarem. Entre talento e disciplina, é melhor ter os dois. Porém, a longo prazo, esta última é mais importante. Mas precisa ser conquistada.

É verdade que há pessoas que aceitam melhor as contrariedades. Essa capacidade de aceitação aumenta à medida que se desenvolvem a linguagem e o raciocínio lógico. Ambos nos ajudam a compreender por que nossas vontades nem sempre podem ser satisfeitas. Aprendemos a suportar melhor a dor.

A principal tarefa da educação, especialmente durante os primeiros anos de vida, seja desenvolver a razão e suas forças com o intuito de sermos capazes de “domesticar” nossas vontades. Uma visão equivocada da psicologia nos levou, nas últimas décadas, a privilegiar o livre exercício do desejo. O papel da razão – freio limitador dos impulsos – foi encarado como algo repressivo e negativo. Além disso, os pais, com medo de traumatizar os filhos e de perder o amor deles, têm fugido da tarefa, às vezes desagradável, de estabelecer limites e estimular as crianças a usar com eficiência a razão para dirigir suas vidas.

Na educação infantil, essa é a tarefa número um dos pais. Ao aprender a utilizar a razão em benefício próprio, a criança e depois o adulto experimentam enorme satisfação quando se sentem disciplinados. Sim, porque é nestes momentos que nos consideramos animais mais sofisticados, que definimos com propriedade de racionais.

A alegria íntima de quem se levanta cedo, faz exercícios e chega na hora certa aos compromissos assumidos é algo que não pode ser subestimado. Sentimo-nos fortes quando conseguimos nos controlar – coisa muito difícil. Sentimos que vencemos a batalha mais árdua: a interior. A auto-estima cresce. E para que nossos filhos experimentem todas essas sensações tão boas, devemos lhes ensinar, desde cedo, a abrir mão de suas vontades, sempre que a razão assim achar conveniente e útil.

Flávio Gikovate é médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor.

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Anatomia das Mães – Texto e vídeo do jogral com as pedagogas

No final das apresentações do dia das mães, as pedagogas da Arca de Noé fizeram um jogral com esse belo texto A Anatomia das Mães. Leia o texto e assista ao vídeo.

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ANATOMIA DAS MÃES – O INSTINTO MATERNO EM TODO SEU ESPLENDOR

Anatomia das mães, além do coração materno. Aparentemente, as mães assemelham-se a qualquer outro ser do sexo feminino. Mas não é bem assim!

A partir do momento em que são mães, a maioria das mulheres começa a manifestar características únicas e muito especiais. Conheça aqui algumas.

Olhos
Os olhos da mãe podem ser de qualquer cor e devem ser capazes de ver o que mais ninguém vê. Duma maneira geral, a expressão dos olhos deve ser suave e amistosa, mas deverá ter a capacidade de “soltar faíscas” nos momentos certos. Uma ferramenta tipicamente usada por todas as mães, independentemente da cultura de cada país, são os “olhos atrás das costas”.

Nariz
Ah, o nariz!… Capaz de cheirar uma fralda recheada a 50 metros! Até agora, não há provas de que a teoria do “maior é melhor” funcione neste caso. Algumas mães têm narizinhos muito pequeninos que parecem não funcionar, mas que na realidade conseguem “cheirar” quantos cigarros fumou o seu filho adolescente. Mas o nariz da mãe também tem sempre o prazer de cheirar os ramos de flores oferecidos pelos filhos.

Boca
Além da sua localização na entrada do aparelho digestivo, que permite que as mães estejam sempre bem alimentadas e saudáveis, a boca tem outras características muito importantes. Deve ser capaz de cantar uma suave canção de embalar sem sair do ritmo e de conversar durante horas a fio. Dela devem sair palavras meigas e bonitas e muitos conselhos. A única regra absoluta é que nunca, mas mesmo nunca deve ser usada para insultar, desmentir ou humilhar uma criança. A mãe até pode estar zangada, mas a agressão verbal é totalmente proibida. Por outro lado, um requisito absolutamente obrigatório em qualquer boca de mãe é conseguir dar milhões de beijinhos aos seus filhotes e de, desta forma, curar qualquer dor, desde um arranhão a um desgosto amoroso.

Mãos
Complementos importantíssimos localizados na extremidade dos braços. Servem para tudo e mais qualquer coisa. Uma das suas principais funções é fazerem festinhas sem se cansarem. Apesar de estar expressamente proibida a sua utilização para fins violentos, são por vezes úteis na administração de uns leves açoites…

Braços
Devem ser fortes para carregar os filhos ao colo, para transportar os sacos das fraldas e todo o tipo de tralhas. Todas as mães têm mil e um braços invisíveis que chegam a todo o lado e a todos os filhos ao mesmo tempo. De entre as suas inúmeras funções, são indispensáveis para adormecer uma criança.

Ouvidos
Os ouvidos das mães devem estar preparados para todas as eventualidades 24 horas por dia. Devem ser capazes de ouvir um bebê choramingar na outra ponta da casa ou de escutar os cochichos da filha adolescente com as amigas. Devem ainda ter potência suficiente para aguentar a música dos Patinhos ou a birra de uma criança que quer um brinquedo. No entanto, é importante que estejam mal sintonizadas para as más disposições dos filhos mais rebeldes.

Peito
A sua primeira tarefa em relação aos filhos é fornecer-lhes alimento e aí são verdadeiras máquinas de leite, independentemente do seu tamanho ou forma. Possuem ainda uma função aconchegante, o que faz com que todos os bebês adormeçam com facilidade no colo da mãe.

Costas
Se bem que na sociedade ocidental não é assim tão comum, nalgumas culturas as costas da mãe são utilizadas como meio de transporte dos menorzinhos. No entanto, as barreiras culturais são ultrapassadas com a expressão “carregar o mundo às costas”, usada por todas as mães a nível universal.

Barriga
Este é o primeiro lar de todas as crianças. Conhecida pelas suas características interiores bastante aconchegantes, a barriga da mãe continua a ter algumas utilidades mesmo depois do nascimento. Juntamente com o peito, é o lugar preferido dos menorzinhos para valentes sonecas.

Coração
É, sem dúvida, o órgão mais importante de qualquer mãe. Apesar de não estar à vista (ainda bem!!) é o que tem mais manifestações exteriores. Quando combinado com os outros órgãos verificam-se resultados surpreendentes. Apresenta uma particularidade interessante: ainda que a sua dimensão seja relativamente reduzida, todos dizem que “o coração de uma mãe é do tamanho do Mundo”!

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Pedido de uma Criança a seus Pais | Texto

Pedido de uma Criança a seus pais - Texto Educacional para Pais e Mestres“Não me estraguem; sei bem que não devo ter tudo quanto peço, só estou experimentando vocês. Não vacilem em ser firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que eu me sinta mais seguro. Não deixem que eu adquira maus hábitos. Dependo de vocês para distingui-los. Não me corrijam na presença de estranhos, se querem que isso seja eficaz… Aprenderei muito mais se me falarem sossegadamente, em particular.

Não me façam sentir que meus erros são pecados. Isso confundirá meu senso de valores. Não me protejam das consequências. Às vezes, necessito aprender pelo caminho mais áspero. Não fiquem furiosos comigo quando digo: “Eu os odeio”. Meu ódio não se dirige a vocês, mas sim ao poder que têm em barrar meu caminho. Não levem muito a sério minhas pequenas dores, necessito delas para obter a atenção que desejo. Não sejam irritantes: se assim o fizerem, irei proteger-me pela surdez.

Não me façam promessas irrefletidas. Lembrem-se que isto irá desapontar-me profundamente. Não se esqueçam de que não posso me expressar tão bem quanto desejo. É esta a razão porque não sou preciso. Não sejam inconstantes. Isto me confunde e faz perder a fé. Não ponham muito à prova a minha honestidade. Sou facilmente tentado a dizer mentiras. Não me descartem quando faço perguntas. Se assim o fizerem, procurarei as respostas em outro lugar, com outras pessoas. Não me digam que os meus temores são bobos. Para mim são profundamente reais e vocês muito poderão fazer para tranquilizar-me, tentando compreendê-los.

Não insinuem que são perfeitos ou infalíveis. Ficarei extremamente chocado quando descobrir que não o são. Não pensem que seria rebaixar ou diminuir sua dignidade pedir-me desculpas. Desculpas sinceras tornam-me surpreendentemente afetuoso. E não esqueçam que gosto de experimentar as coisas por mim mesmo.
Por favor, tolerem-me. Sei que talvez seja difícil para vocês atenderem a todos os meus pedidos, mas por favor façam o possível porque vocês estarão me ajudando a ser uma pessoa AJUSTADA e FELIZ.”

Texto adaptado do original Memo: From a Child To a Parent, de Barbara Hudson